Um vídeo existe para ser visto. Um propósito suficientemente simples, certo? E, no entanto, lê-se como um enorme desafio, em especial a partir do momento em que o vídeo se tornou o mais popular meio de comunicação entre os internautas, tendência que, de resto, se parece estar a acentuar.

A dificuldade reside, como é evidente, no facto de existirem demasiados vídeos disponíveis na Internet. Só o YouTube tem mais de mil milhões de utilizadores, quase um terço de todas as pessoas com Internet no mundo. Estes vêem diariamente centenas de milhões de horas de vídeos. Somos por isso forçados a aceitar que, embora todos os vídeos existam para ser vistos, nem todos o consigam efectivamente ser, pelo menos com a frequência desejada.

Existem, contudo, formas de maximizar o potencial de exposição de um vídeo e, por consequência, elevar-lhe o número de visualizações. É o que exploraremos nas linhas abaixo.

De que preciso para ter um vídeo viral?

Em primeiro lugar, precisa de um vídeo. Mas atenção: não pode ser um vídeo qualquer. Para um vídeo ser capaz de alcançar um grande número de visualizações, deve necessariamente ser relevante para o público a que se destina. Até porque não há estratégia que valha a um vídeo que não sobressaia de alguma forma à sua audiência.

O Business Daily News identificou alguns dos principais elementos de qualquer conteúdo viral:

  • Evoca emoções e estabelece uma relação com o público;
  • Assume riscos e é inesperado na forma de comunicar;
  • É inovador e demonstrativo de uma identidade própria;
  • É partilhado no momento certo;
  • Apela à acção e à comunidade social existente.

Agora que tem uma ideia geral do que constitui um conteúdo viral, já pode avançar para a produção do próximo grande sucesso do YouTube, certo?

ERRADO.

A verdade é que, mesmo reconhecendo que existem técnicas concretas que se podem adoptar na persecução do “viral”, não existe uma fórmula efectiva e consensual de o garantir. Claro que todas as marcas gostariam de lançar o vídeo mais visto do ano, mas isto acaba por ser mais um desejo vago do que uma estratégia palpável de acção, pelo que não deve nunca ser o objectivo principal de um vídeo.

Outra ideia a rejeitar é a de que só as grandes empresas com orçamentos milionários são capazes de produzir vídeos com muitas visualizações. Inúmeros exemplos a provam errada. Mais importante que reputação ou dinheiro é identificar os conteúdos mais úteis e relevantes para o público a que o vídeo se destina. E executá-los.

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Tenho um vídeo. E agora?

Agora que já produziu o seu vídeo, o próximo passo é colocá-lo na Internet. No entanto, para assegurar que maximiza o seu potencial de exposição, deve ter alguns cuidados ao fazê-lo, a começar pela escolha da plataforma de publicação. Convém, para isso, compreender um pouco melhor as características das mais populares.

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YOUTUBE

Assumamos que pretende publicar o seu vídeo no YouTube. De acordo com o Clickz, o popular sítio de vídeos leva sete factores em consideração ao classificar os vídeos que hospeda.

Título

O título de um vídeo deve ser cuidadosamente pensado, a fim de o fazer sobressair no motor de pesquisa do YouTube. É importante que a mais relevante palavra-chave surja logo no início. O título deve também, sempre que possível, apelar à curiosidade.

Palavras-chave

O YouTube removeu, em 2014, a sua ferramenta especializada na escolha de palavras-chave, mas nem por isso deixa de ser importante incluí-las. O Reel SEO sugere que, em alternativa, se utilize o recurso de preenchimento automático do YouTube, o Google Trends ou o YouTube Trends, a fim de descobrir as palavras-chave mais relevantes e eficazes a incluir nos vídeos.

Descrição

As descrições são parte crítica do sucesso de um vídeo, já que é principalmente nelas que o YouTube se concentra ao pesquisar palavras-chave. Devem incluir pelo menos um sumário do vídeo e ligações a recursos externos, como o website da marca.

Tags

As tags são mais uma forma de adicionar palavras-chave relevantes a um vídeo. O ideal é ter entre seis e oito. Segundo o Search Engine Journal, devem ser introduzidas por ordem de importância, com os temas mais relevantes a surgirem primeiro.

Imagem miniaturizada

O primeiro contacto do público com um vídeo faz-se, muitas vezes, através da pequena imagem que o ilustra. O YouTube pode encarregar-se de a escolher, mas é sempre preferível que seja o próprio utilizador a fazê-lo, ou – melhor ainda – a carregar uma imagem personalizada para tomar a função.

Transcrição

É uma opção frequentemente negligenciada, mas a verdade é que o YouTube favorece os vídeos que possuam transcrições, já que também as analisa em busca de palavras-chave.

Reputação do canal

Por uma questão de legitimidade, o YouTube favorece vídeos carregados em canais que já contem com muitas visualizações e interacções anteriores.

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FACEBOOK

Mas nem só de YouTube se faz a Internet. Na verdade, segundo Emeritus Gian Fulgoni, co-fundador da comScore, o Facebook até contabilizou, em alguns meses de 2014, mais visualizações que o YouTube, particularmente depois de introduzir a reprodução automática de vídeos no seu feed de notícias.

Os dados recolhidos pelo Socialbakers exibem uma tendência em tudo semelhante, mas no que respeita a hospedagem: o Facebook encerrou o ano de 2014 à frente do YouTube no carregamento nativo de vídeos, pelo menos no sector empresarial.

 

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O mesmo estudo conclui ainda que, ao longo de 2014 e a nível de interacção, a rede social co-fundada por Mark Zuckerberg aumentou largamente o domínio sobre o YouTube: em Janeiro, o Facebook contava com aproximadamente metade de todas as interacções relacionadas com vídeos da Internet; em Dezembro, já detinha mais de 80%.

 

video shares

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Por outro lado, tendo a rede social como plataforma, e ainda de acordo com dados recolhidos pelo Socialbakers, os vídeos nativos do Facebook obtêm quase o dobro dos comentários e têm um alcance viral dez vezes maior do que os do YouTube. Parecem, de facto, ter uma vantagem competitiva sobre estes.

A questão impõe-se: deve continuar a carregar o seu vídeo apenas para o YouTube e a partilhar posteriormente o link no Facebook ou, pelo contrário, carregá-lo directamente para o Facebook e partilhá-lo como vídeo nativo, beneficiando das vantagens da rede social mas prejudicando o número de visualizações obtido no YouTube?

Segundo Tim Schmoyer, do Video Creators, a opção mais sensata será a de aprender a maximizar o potencial dos links de YouTube partilhados no Facebook.

O especialista sugere que, em vez de partilhar os vídeos como ligação, publique antes uma bela imagem ilustrativa, acompanhada por um breve texto que inclua uma ligação para o vídeo no YouTube. Schmoyer refere que, desta forma, os vídeos conseguem ter o dobro de visualizações que teriam se fossem partilhados como uma ligação normal.

Confira aqui a sua explicação.

Publiquei o meu vídeo. E agora?

Agora que carregou o seu vídeo, maximizando o seu potencial de exposição, é altura de trabalhar na sua divulgação. A esse nível, existem mais alguns factores favorecidos pelo motor de pesquisa do YouTube que pode querer explorar.

Interacção

Quanto mais pessoas comentarem, partilharem e gostarem (ou não) de um vídeo, melhor será a sua posição no ranking do YouTube. Deve, por isso, encorajar os utilizadores a fazê-lo e até interagir com eles nos comentários, de forma a incentivar um debate saudável. Lembre-se de sugerir também que subscrevam o seu canal.

Backlinks

Quanto mais websites de qualidade incluírem ligações para o seu vídeo, mais proeminente surgirá ele no motor de pesquisa do Google e do YouTube. Deve, por isso, divulgar o vídeo não só através das redes sociais mas também de quaisquer blogues ou páginas que possua e ainda fazê-lo chegar a outras páginas que possam estar interessadas nele.

Publicidade

É a solução mais evidente e menos morosa para conseguir mais visualizações. Ao pagar pela subscrição de uma das opções de publicidade do YouTube, o seu vídeo surgirá em destaque no website, pelo que obterá mais e mais relevantes acessos.

Em resumo

Um vídeo existe para ser visto, mas destacar-se no vastíssimo leque de ofertas actualmente existentes não é tarefa fácil. A fim de maximizar as suas possibilidades de exposição, deve começar por produzir um vídeo de qualidade que ofereça conteúdos relevantes ao público a que se destina. Identifique depois a plataforma de publicação que lhe traz mais garantias e preencha cuidadosamente os vários campos informativos do vídeo com as mais importantes palavras-chave. Por fim, empenhe-se na sua divulgação, incentivando a interacção entre espectadores e a partilha por parte de websites de referência. Quem sabe se, assim, não será mesmo seu o próximo grande sucesso viral da Internet.

 


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SOBRE O AUTOR
Tiago Matos

Apaixonado por escrita, cinema e cada vez mais rendido ao vídeo.