Sabia que, antes de 2012, a Lay’s era reconhecida por apenas 4% do povo eslovaco? Confrontada com o problema, a marca não tardou a reagir. Começou por publicar, no Facebook, um voxpop bastante simples, no qual vários americanos eram exibidos a apreciar halušky, um prato típico da Eslováquia. Esta campanha, divulgada em massa pelos meios de comunicação eslovacos, estimulou a curiosidade do povo ao ponto de atrair mais de 400 mil visitas por semana.

A marca rematou então com uma segunda fase, suportada por vídeos (também muito simples) que convidavam os fãs a trocar as suas melhores receitas de halušky por pacotes de batatas Lay’s. A mensagem era simples: os americanos, agradecidos, pretendiam retribuir a gentileza oferecendo aos eslovacos as suas melhores batatas.

A campanha, conseguida com um orçamento irrisório, alcançou um total superior a quatro milhões de utilizadores, um número especialmente significativo se considerarmos que a Eslováquia tem pouco mais de 5,4 milhões de habitantes.

Confira abaixo a explicação:

 

 

E o caso da Wren, uma pequena loja de roupa em Los Angeles que, com apenas 1300 dólares de investimento, lançou o terceiro vídeo mais visto de 2014 no YouTube?

First Kiss, uma campanha na qual foi pedido a 20 estranhos (vestidos com roupas da Wren) que se beijassem em frente de uma câmara, obteve, em menos de um ano, quase 100 milhões de visualizações. Os 1300 dólares do orçamento foram gastos no aluguer de um estúdio para filmar, numa babysitter para o filho do editor, em refeições, chocolate e rebuçados de mentol. Todos os participantes se beijaram de graça. E as vendas da Wren subiram 14.000%.

 

 

Temos também o exemplo da Orabrush, uma escova para a língua desenvolvida por Bob Wagstaff, que, em 2009, depois de oito anos a tentar – sem sucesso – colocar o seu produto à venda nos retalhistas e consultórios dentários, decidiu apostar num vídeo digital de promoção, a conselho de Jeffrey Harmon, um estudante universitário a quem tinha ido pedir ideias.

O problema? Só tinha 500 dólares para o fazer.

Harmon convocou um amigo seu para protagonista e, mesmo com as limitações orçamentais, foi produzido um vídeo que, no total, obteve mais de 30 milhões de visualizações. O que, por sua vez, se traduziu em dois milhões de escovas vendidas on-line.

 

 

Dos três exemplos referidos, retira-se uma única conclusão: o dinheiro não é, ao contrário do que muitos ainda julgam, um elemento essencial à produção de um vídeo de qualidade e aspecto profissional. Nem à produção de um vídeo comercial de sucesso. Por vezes basta uma boa ideia, um elenco capaz e, claro, o equipamento certo.

Este último ponto em particular é com frequência desvalorizado, mesmo tendo em conta que pode significar o êxito ou o fracasso de um projecto. Ora há quem se apetreche em demasia, esvaziando o orçamento na aquisição de equipamentos que não vai sequer utilizar, ora há quem julgue que um smartphone é suficiente para garantir um vídeo comercial de qualidade – o que até acontece, mas é mais raro do que se imagina.

Como pode então perceber se está mesmo preparado para filmar o melhor vídeo da sua vida? Basta confirmar se possui todos os equipamentos listados abaixo.

 

Equipamentos indispensáveis

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Câmara de vídeo

Sem câmara não existe vídeo, pelo que este terá evidentemente de ser o primeiro equipamento a obter. A evolução constante da tecnologia facilitou, em parte, a tarefa: há cada vez mais máquinas de qualidade disponíveis no mercado a um preço relativamente acessível. O «truque», por assim dizer, é escolher a que melhor se adequa às competências e necessidades básicas de quem vai com ela trabalhar.

Este é, naturalmente, um investimento importante. Para obter um resultado de qualidade sem gastar uma parcela demasiado elevada do seu orçamento, pode apostar, por exemplo, na aquisição de uma câmara digital reflex de objectiva simples (vulgo DSLR). Destacam-se neste lote alguns modelos – Canon 70D, Canon 7D, Nikon D800 ou Canon 5D Mark III –, embora com a chegada da ultra-alta definição, também conhecida por 4K, se possa igualmente pensar em câmaras como a Panasonic Lumix GH4 ou a Sony Alpha 7S.

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Lentes

O segundo passo é adquirir um bom conjunto de lentes, de preferência com distância focal fixa (vulgo prime), para evitar os males do zoom. Um conjunto de três lentes prime composto por uma grande angular, uma de 50 milímetros (com uma grande abertura) e uma de 85 ou 100 milímetros deverá possuir a versatilidade suficiente para cobrir as necessidades básicas das suas filmagens.

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Tripé

Um tripé de vídeo é um elemento essencial a qualquer filmagem, já que permite a estabilização da imagem. Ao adquirir um tripé, deve procurar perceber se é adequado ao peso da câmara que vai suportar: é desnecessário carregar um tripé demasiado pesado, mas pode ser perigoso apostar num demasiado leve. Deve também ter em conta a fluidez da sua cabeça, já que esta influencia a suavidade dos movimentos captados.

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Microfone

Um erro comum entre videógrafos iniciantes é deixar para segundo plano a componente sonora, quando esta é, na verdade, fundamental em qualquer vídeo. Comece por esquecer o microfone embutido que a grande maioria das câmaras possui; para uma gravação de alto nível, terá de adquirir uma alternativa externa. E aqui tudo depende não só das necessidades específicas do projecto, mas do que está disposto a gastar: existem soluções mais baratas, como o microfone direccional para DSLR, e mais dispendiosas, como gravadores, perches e até microfones de lapela, particularmente úteis para entrevistas.

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Luzes

A luz, tal como o som, é um dos mais importantes elementos de um vídeo. Uma iluminação pobre transmite um tom amador, pelo que deve ter consigo um painel básico de LEDs ou, melhor ainda, reflectores. Estes artifícios criam uma luz uniforme capaz de eliminar, por exemplo, as sombras nos rostos, evitando que as pessoas filmadas pareçam cansadas ou pouco saudáveis. Se, por outro lado, considerar que o seu actual projecto necessita de outro tipo específico de luzes, um que não preveja utilizar com muita frequência, considere alugá-las para poupar dinheiro.

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Cartões de Memória

De que lhe serve uma grande câmara se não tiver espaço para armazenar as suas filmagens? Nenhum kit de filmagens que se preze existe sem cartões de memória. Deve trazer consigo dois – compact flash (CF) e/ou secure digital (SD), consoante a compatibilidade da sua máquina –, e o ideal é que cada um não tenha mais de 16 gigabytes de espaço. Isto por duas razões: por um lado, minimiza os riscos de uma eventual perda; por outro, não perderá tanto tempo a filmar cenas de que não necessita se souber que tem uma quantidade limitada de espaço disponível para o fazer.

Outros equipamentos a considerar


Adquiriu todos os equipamentos indispensáveis para filmar um grande vídeo, mas resta-lhe, no orçamento, alguma margem para investir. Considere, neste caso, aumentar os níveis de produção do seu projecto com a ajuda de alguns equipamentos extra.

  • Shoulder mount
    Suporte desenhado para manter a câmara fixa nos ombros de quem a controla, ajudando desta forma a manter a estabilidade das filmagens.
  • Follow focus
    Mecanismo que permite um controlo mais preciso e eficiente do foco da câmara.
  • Slider
    Pequeno trilho que se coloca em cima de um tripé e permite deslizar suavemente a câmara, conferindo à filmagem um aspecto mais profissional. Deve, contudo, ter-se em conta que os maiores sliders necessitam de mais de um tripé como suporte.

Em resumo

O conceito de vídeo profissional continua, para muitos, intimamente associado à quantidade de dinheiro que se tem para investir. São, no entanto, imensos os exemplos de campanhas que do pouco fizeram muito. Na verdade, para produzir um vídeo de qualidade, o único elemento verdadeiramente indispensável é o equipamento: sem ele não haveria vídeo. E mesmo este pode ser reunido sem grandes loucuras. Basta que o identifique e se limite ao essencial.

 


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SOBRE O AUTOR
Tiago Matos

Apaixonado por escrita, cinema e cada vez mais rendido ao vídeo.