Daqui a cinco anos, estará a ler este artigo ou a assisti-lo? É a questão que o The Guardian coloca ao analisar as últimas tendências do marketing de conteúdos, constatando a cada vez mais evidente supremacia do vídeo digital como meio de comunicação.

Os números não deixam margem para dúvidas: num extenso estudo sobre a evolução esperada das redes visuais, a Cisco prevê que, em 2018, o vídeo seja responsável por 79% de todo o consumo de tráfego digital. Não se pense, contudo, que o vídeo é apenas o futuro. Já este ano se antevê o domínio do formato, particularmente nas redes sociais, ou não estivesse o Facebook a morder cada vez mais os calcanhares ao YouTube no que diz respeito ao número de visualizações de vídeos, superando-o inclusive nas partilhas (a interacção é, afinal, o ponto forte da rede social), de acordo com o Social Media Examiner.

Por tudo isto, as empresas estão cada vez mais cientes da necessidade de apostar em video marketing tendo em vista a ampliação do reconhecimento das respectivas marcas e o crescimento das vendas. Há, no entanto, que salientar que a aposta no vídeo deve sempre estar assente numa estratégia bem definida. Escolher o tipo de vídeo certo para cada ocasião, consoante o objectivo específico do negócio, é fulcral para o sucesso.

Existem pelo menos dez tipos de vídeo a ter em conta ao investir, pelo que convém saber em que diferem e quais os seus principais benefícios.

 

1. Vídeos promocionais

O vídeo promocional serve geralmente para apresentar novos produtos ou serviços, por vezes antes mesmo de estes se começarem a comercializar. Assume por isso, muitas vezes, um papel introdutório na relação com o público. Esta sua natureza obriga, segundo o Reel Marketer e independentemente da técnica ou estilo a adoptar, a alguns cuidados especiais. O vídeo deve ser concebido de acordo com um propósito bem definido, deve estar suportado numa ideia-chave, dirigir-se a um público específico e apelar à acção. Acrescente-se que, não obstante ter sempre como foco o produto ou serviço promovido, este tipo de vídeo não é exaustivo na listagem das suas características, optando antes por dar apenas uma imagem geral do mesmo e alimentar desta forma as expectativas do público-alvo.

 

2. Vídeos de demonstração

À semelhança do vídeo promocional, também o vídeo de demonstração tem como principal objectivo a apresentação de um determinado produto ou serviço. Fá-lo, contudo, de forma mais detalhada que o primeiro, centrando-se menos no conceito do produto e mais na explanação dos seus benefícios. Por outras palavras, dedica-se à demonstração detalhada da sua eficácia, através de imagens, textos e/ou sons. Pela natureza, este tipo de vídeo é especialmente útil nos casos em que não basta conhecer o nome dos produtos ou serviços promovidos: o seu principal apelo está na razão pela qual são utilizados.

 

3. Tutoriais

Se o vídeo promocional diz “o que é” e o vídeo de demonstração explica “para que serve”, o tutorial esclarece “como funciona”. É, por norma, um vídeo detalhado, apresentado como uma espécie de guia passo-a-passo que ensina os clientes a utilizar um produto ou serviço de execução potencialmente difícil – é, por isso, adoptado com frequência em bens complexos, como os da área tecnológica, ou na aprendizagem de instrumentos musicais. Mas a aposta no tutorial não deve ser feita apenas com o intuito de ajudar o cliente no pós-venda. Se for simples e apelativo, como sugere o Udemy, este tipo de vídeo também é capaz de conquistar novos clientes, aguçando, pela exploração exaustiva dos recursos, a vontade de experimentar o produto ou serviço que promove.

 

4. Vídeos institucionais

O vídeo institucional faz pela empresa que nele aposta o que os vídeos promocionais e de demonstração fazem pelos bens e serviços que apresentam. O foco está na imagem geral da instituição, podendo o vídeo enfatizar um pouco da sua história (origem, evolução, maiores sucessos) e os principais pontos que a caracterizam (instalações, processos, ambiente laboral). É uma boa aposta quando a ideia é obter uma forte cultura corporativa, o que pode ter consequências muito positivas na reputação da marca e no orgulho de pertença do capital humano que a forma. Isto porque, consoante o objectivo, o vídeo institucional tanto pode ser para consumo externo como interno.

 

5. Reportagens

Uma outra forma de fortalecer a cultura corporativa é através da cobertura de eventos institucionais. Estes assumem as mais diversas formas, desde os tradicionais almoços e jantares de Natal às grandes cerimónias formais patrocinadas por marcas, pelo que pode ser benéfico aumentar-lhes a visibilidade com uma reportagem em vídeo que inclua, por exemplo, entrevistas aos participantes. O intuito não é apenas recordar o momento – embora não se deva descurar o valor das reportagens no fortalecimento do sentimento de pertença institucional –, mas aumentar a exposição da empresa e das marcas envolvidas.

 

6. Apresentações

A apresentação de um negócio em vídeo, feita por um orador cativante e competente, pode ser extremamente benéfica na promoção de um determinado produto ou serviço, ou ainda na disseminação de valores corporativos. A prová-lo está o sucesso das emblemáticas apresentações promovidas pela Apple, ou ainda a propagação global das conferências TEDx. Estas palestras são, numa primeira instância, conduzidas para a audiência que as assiste ao vivo, mas porque não filmá-las e exibi-las on-line para um público consideravelmente mais extenso?

 

7. Entrevistas

Semelhante às apresentações em vídeo, no sentido em que assume como foco o discurso de um ou mais especialistas, este tipo de vídeo substitui a extensa audiência habitualmente presente nas palestras por um único entrevistador. É uma forma um pouco mais intimista – e centrada, já que o entrevistador conduz a conversa de modo a que o entrevistado seja suficientemente esclarecedor e não se disperse – de comunicar ideias. Consoante o orador, pode ser um tipo de vídeo mais adequado do que as apresentações.

 

8. Vídeos de testemunhos

Os depoimentos filmados de clientes podem ser uma óptima forma de aumentar as vendas – e a credibilidade da empresa – ao demonstrar, por registo provado, a capacidade da marca em atingir (ou mesmo exceder) as expectativas dos seus clientes. Segundo o Tweaky Our Biz, existem várias razões para se apostar neste tipo de vídeos: são, por natureza, apelativos e frequentemente partilhados nas redes sociais, o que garante uma maior exposição; os clientes são capazes de sumarizar e esclarecer com facilidade as questões fundamentais dos produtos e serviços, funcionando por vezes os seus testemunhos como mini-tutoriais; e ampliam o nível de credibilidade da marca, dando a potenciais clientes uma maior confiança na altura de a procurar.

 

9. Making ofs

Um dos requisitos mais importantes para o sucesso individual de um vídeo é a sua autenticidade, pelo que a realização de um making of poderá ser uma opção a reter. Consiste este numa espécie de mini-documentário que revela os bastidores de um determinado evento ou produção. Ao abrir a cortina a processos a que o espectador geralmente não tem acesso, o making of assume um apelo muito particular e chega, por vezes, a tornar-se mais popular do que as produções originais que cobre.

 

10. Vídeos de recrutamento

As grandes empresas fazem-se de grandes talentos; os vídeos de recrutamento ajudam na sua obtenção. Segundo o Hire Rabbit, blogue especializado em recursos humanos, este tipo de vídeos deve basear-se em depoimentos reais (e não-forçados) de funcionários da empresa, revelando do interior a sua cultura, principais benefícios e as razões que a tornam diferente de todas as outras. Devem também dirigir-se ao perfil específico de funcionário que pretendem atrair, ser relativamente curtos e incluir um apelo final (o chamado call to action). Gigantes como a Google, a Apple e a Microsoft já se renderam aos vídeos de recrutamento, mas não faltam bons exemplos por parte de empresas de menor dimensão.

 

Como definir a melhor estratégia

As escolhas são muitas e os benefícios também, mas, para obter o máximo de cada um, o tipo de vídeo a adoptar depende inteiramente de uma estratégia. A Spin Creative destaca alguns dos pontos que devem ser considerados quando se pensa em apostar no video marketing:

  • Estabelecer um objectivo claro para o vídeo a produzir;
  • Determinar um orçamento;
  • Identificar o público-alvo;
  • Estabelecer medidas quantificáveis para avaliar o sucesso do projeto;
  • Identificar as expectativas internas a nível de conteúdos;
  • Avaliar a melhor forma de distribuir o vídeo.

Definidas as respostas, de forma interna ou em conjunto com a produtora de filmes escolhida, é mais fácil eleger o tipo de vídeo em que valerá a pena apostar. E um bom vídeo pode fazer toda a diferença e mudar realmente a sua empresa já este ano.

 


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SOBRE O AUTOR
Tiago Matos

Apaixonado por escrita, cinema e cada vez mais rendido ao vídeo.